Carlos Heitor Cony (Foto: Daniel Marenco/Folhapress)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O escritor Carlos Heitor Cony, que faleceu aos 91 anos nesta sexta-feira, dia 5, de falência de múltiplos órgãos, deixa como legado para a literatura brasileira uma obra impactante que não envelheceu, diz o escritor e editor Marcelo Ferroni. Ferroni, vencedor em 2011 do Prêmio São Paulo de Literatura pelo romance Método Prático da Guerrilha, diz que a força da obra de Cony se deve a sua capacidade de lidar com temas contemporâneos que ressoam com impacto ainda hoje junto aos leitores, embora grande parte dos seus romances tenham sido escritos entre os anos 60 e 70 .“Quando fala nos seus livros da ditadura ou das suas questões pessoais, como a passagem pelo seminário, Cony trata desses temas com uma contemporaneidade que é raro encontrar. Se você ler um livro dele hoje, vai ter a impressão de que foi escrito hoje”, diz Ferroni, que, entre 2006 e 2012, reeditou a obra de Cony pelo selo Alfaguara, hoje pertencente à editora Companhia das Letras.

Para Ferroni, o frescor da obra de Cony, entre outras qualidades, se deve à limpidez e à clareza da sua narrativa, “sem muitos rodeios e  rebuscamentos desnecessários”. “Ele tem uma voz, que vem talvez do jornalismo, que é uma voz clara e potente. Seus livros sempre abrem com personagens muito bem denifidos. Os diálogos são impactantes. E os livros dele, mesmo quando tratam de questões pessoais, têm uma questão política forte”, diz Ferroni, para quem Cony merece um lugar no panteão dos principais escritores brasileiros da segunda metade do século XX. Ferroni destaca os romances  Antes, o Verão (1964), Pessach, a Travessia (1967), Pilatos (1973) e Quase Memória (1995), como os principais romances de Cony. Cony, que foi jornalista profissional e integrou a Academia Brasileira de Letras, publicou, ao longo de sua trajetória, 17  romances.

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